Com apenas vinte aninhos, a vacariana Anna Luiza já tem muita história de vida para contar. Começando pela infância onde, ironicamente, a menina ganhava vários livros de pintura de sua mãe, mas não demonstrava interesse algum.
O ponto de virada realmente aconteceu na adolescência, quando foi diagnosticada com câncer. Neste momento doloroso, pintando uma tela grande que retratava o sofrimento e a luta contra a doença, uma mulher interessou-se e foi assim que seu primeiro quadro foi vendido, por um valor que não cobria nem o material.
“Nessa época pintei vários quadros retratando o momento pelo qual estava passando, o que me fez ir desenvolvendo as técnicas, pintando cada vez melhor. Logo em seguida tive uma doença em decorrência do câncer, chamada de osteonecrose da cabeça femoral. Essa doença me tirou muitas coisas, desde o ensino médio, até a capacidade de andar. Porém, foi nesse momento que vi a bondade das pessoas, já que recebi muita ajuda de amigos, professores, familiares e desconhecidos”, relembra ela.
Ainda em tratamento, Anna foi convidada para pintar, pela primeira vez, o retrato das debutantes, para que estes ficassem expostos na noite do baile. Infelizmente, ela não conseguiu comparecer ao evento, já que ainda não ficava em pé.
“Depois deste fato, recebi uma doação, em nome da Simone Campetti, para colocar minhas próteses no quadril. Graças a isso pude continuar trabalhando com o que amo e consegui ir no segundo baile de debutantes, ocorrido no ano seguinte, em pé, curada do câncer e com duas próteses”, comenta, emocionada.
Anna é autodidata, já que nunca fez aulas com nenhum professor, mas assistiu muitos vídeos, principalmente de speedpaint, que vê até hoje. “Desenhava muito todos os dias quando ainda estudava, ficando cerca de 5 horas desenhando direto, às vezes até mais”, comenta.
Na sua lista de incentivadores, a artista coloca sua avó, que pintava flores em pratos de porcelana, e sua mãe, que faz telas e bonecos de biscuit incríveis. Além, é claro, de demais familiares, amigos, namorado e pessoas que enxergavam talento quando ela mesma ainda não o via.
“Sou grata a Tiane Rizzon, por ter me dado uma das primeiras oportunidades para um trabalho grande. Também quero agradecer ao Giovani Granetto e Erick Lissauer que me incentivaram a postar todos os meus quadros”, diz ela.
Em sua trajetória, Anna pintou quadros de animais de estimação, alguns já falecidos, assim como quadros de namorados, de bodas de ouro, desenhos que foram eternizados em tatuagens. “Inclusive, metade das tatuagens que tenho no meu corpo, são desenhos meus, que hoje exponho com muito orgulho”, afirma.
Sem dúvida, a arte tem uma importância muito grande na vida desta pintora, que expressou seus sentimentos, sejam eles bons ou ruins, por meio das telas.
“Meu sonho é conseguir viver do que faço, feliz, realizada e tendo esta importante atividade para sempre como minha melhor amiga”, finaliza ela.







