Mais que um carro, uma companhia

Aos oitenta e um anos, dona Delma Eva Scopel Tessaro carrega no olhar a serenidade de quem já viveu muitas histórias ao lado de seu companheiro: o Corsa 1995, presente de seu filho Sandro, que na época tirou zero km da concessionária aqui em Vacaria. Seu visual arredondado, bastante diferente dos modelos quadrados que predominavam no mercado, ajudou a transformá-lo em um dos carros mais queridos dos anos 90

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Inegociáveis Diego Ezequiel
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O Chevrolet Corsa Wind 1.0 1995 marcou uma nova fase dos carros compactos no Brasil. Enquanto a Fiat lançava o Uno, a Volkswagen o Gol quadrado e a Ford o Escort, a montadora GM apostou no Corsa, que conquistou espaço rapidamente por unir economia, praticidade, conforto e um design moderno para a época. 

O Corsa 1995 acabou se tornando parte da história de muitas famílias. Foi carro de primeiro emprego, de viagens, de passeios e por isso, exemplares bem conservados hoje carregam um valor que vai muito além da mecânica.

E este é o caso do automóvel que Sandro comprou para presentear a sua mãe, pagando, na época, menos de R$8 mil reais por ele.

“Encomendei e esperei seis meses até chegar na concessionária. Solicitei que colocassem esses frisos e moldura, que vinha apenas no modelo 1.4, o que tornou-se um diferencial nele, sendo estes acessórios originais da GM”, relembra o filho.

Dona Delma, que aprendeu a dirigir no caminhão em que seu primeiro marido carregava madeira de Santa Catarina para cá, é apaixonada pelo volante. Enquanto a maioria das mulheres de sua época não tinha carteira de motorista, ela tirou a dela, dirigindo também o Alpha Romeo de seu cunhado e, logo após, a caminhonete de seu segundo marido nas idas e vindas para a praia.

“Mesmo eu já tendo meu Corsinha, acabava deixando ele na garagem e ocupava os outros carros maiores que estavam à disposição. Sempre gostei de dirigir, respeitando as leis de trânsito e, por isso, nunca levei multa, bati ou arranhei carro algum”, conta ela.

O Corsa, que não tem nem 40 mil km rodados, mantém-se todo original, com exceção dos pneus que, após dez anos de uso, acabaram ressecando e foram trocados por um modelo que não existe mais.

“Comprei um Goodyear GTS 2, um pouco mais largo que os de fábrica. Já a placa, que é a única que o carro teve, também é considerada rara, já que está lacrada e tem tamanho menor do que as que conhecemos hoje. Optei por não colocar placa preta para não descaracterizar esse detalhe tão legal do carrinho”, diz Sandro. Dona Delma, hoje em dia, dirige apenas no bairro, já que não se sente mais segura em sair para o centro da cidade ou em ruas movimentadas. 

Em tempos em que tudo parece feito para ser substituído rapidamente, essa história revela o valor do que permanece. O Corsa continua fiel, carregando sua dona e, principalmente, carregando um pedaço de sua história. Afinal, alguns carros deixam de ser apenas veículos: tornam-se testemunhas de uma vida inteira. E talvez seja justamente por isso que, depois de tanto tempo, ainda exista tamanho carinho entre esta dona e seu carro.

 

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