A Gaiteira que Quebrou Barreiras e Transformou o Talento em Amor e Coragem

Mostrando que talento não tem gênero, Leandra Pessoa é gaiteira desde a infância, tocando com excelência este que, para muitos, ainda é considerado um instrumento masculino. Vamos conhecer sua história de vitórias e amor pela tradição gaúcha, na matéria a seguir

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Arte e Cultura
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Leandra foi criada pela sua avó, que sempre a incentivou a ir pelo caminho da música e da dança. Com três anos, começou a fazer aulas de balé, com nove fez aulas de teclado e em seguida iniciou no CTG, de onde nunca mais saiu, e onde ganhou sua primeira gaita de presente de seu avô.

Concorrendo pelo CTG Sentinela da Querência, a gaiteira participou de seus primeiros concursos de gaita piano.

“Eu iniciei fazendo aulas com o professor Lauvir Siqueira, mas houve um tempo em que o mestre e ídolo Adelar Bertussi vinha até Vacaria e, então, virei aluna. Minha maior incentivadora sem dúvidas foi minha avó, ela me acompanhava em tudo, nunca mediu esforços pra estar do meu lado”, relembra.

Já adolescente, Leandra foi convidada pelo saudoso Pedro Kikuchi para tocar nas invernadas do CTG Rancho da Integração, além de amadrinhar chula e solistas vocais, onde ficou por muitos anos.

”Hoje em dia toco para os filhos dos chuleadores que eu tocava naquele tempo”, conta, orgulhosa.

Sua fonte de renda é e sempre foi a música. A gaiteira é coordenadora dos individuais e sócia fundadora do Grupo de Cultura Nativa Vila Velha, fundado em 2024. Este grupo surgiu através de pais e amigos com os mesmos objetivos e ideias.

“Lá  trabalhamos levando cultura gaúcha para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, dos bairros Municipal, Cohab e Vitória, comunidades marcadas pela presença preocupante da drogadição,  transformado vidas por meio da arte e da convivência saudável, afastando-as dos riscos sociais e aproximando-os da esperança e do pertencimento cultural”, explica ela.

  Sabemos que a gaita sempre foi um instrumento forte em nossa cultura e, para a maioria, considerado um instrumento masculino. Por isso, indagamos Leandra sobre o preconceito ou dificuldades que encontrou, até se consagrar neste cenário.

“Me sinto corajosa e honrada por poder representar as mulheres nesse espaço, mostrando  que a tradição também é feita por mãos femininas. Infelizmente ainda existe aquele olhar de surpresa quando uma mulher pega na gaita, como se ali não fosse nosso lugar, porém, isso só  me fortalece. A gaita faz parte de quem sou e tocar é minha forma de mostrar que talento e amor não tem gênero”, diz.

Em 2022, com apenas trinta e cinco anos, Leandra foi diagnosticada com carcinoma ductal infiltrante de mama, iniciando uma luta contra o medo e enfrentando a quimioterapia, a queda do cabelo, as reações aos medicamentos, as queimaduras da radioterapia e a cirurgia. Tudo isso rodeada de muito amor e carinho, até entrar em remissão.

Como se não bastasse, um ano depois, seu marido Sandro, foi diagnosticado com um tumor de células germinativas, sendo a vez de Leandra ser firme e mostrar que, com determinação e força, tudo pode ser superado.

“Com muita fé, aqui estamos nós, firmes e mais fortes do que nunca. Hoje me sinto feliz, olho para trás e vejo que percorri um caminho bonito, deixando um legado de uma mulher que tocou com o coração e que abriu caminho para outras gaiteiras que virão”, comenta. 

Ela finaliza com a reflexão do que a música representa para ela.

“A música pra mim é sentimento. Eu choro tocando, me realizo tocando, curo minhas tristezas e saudades tocando. É amor mesmo, eu nasci pra isso e acho que é divino”, conclui a artista.

 

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