O vírus do HIV e a AIDS

A verdade é que essa luta vai muito além do diagnóstico difícil e do tratamento. Ela é, mais do que qualquer coisa, uma luta pela quebra de estigma e conscientização. Pessoas que positivam para o HIV e que, com o tempo, passam a ter AIDs, são frequentemente acometidas pelo preconceito e desinformação, tornando a caminhada muito mais tortuosa. Por isso, vamos saber mais sobre uma campanha municipal, feita a partir do depoimento de uma vacariana que, com muita coragem, contou sua história com o intuito de ajudar pessoas que passaram e passam pela mesma situação

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Especiais Samara Pacheco
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(Con)Vivendo com o HIV 

Cleide Marcolin foi contagiada com o vírus HIV em Agosto de 2019 e descobriu isso no mês seguinte ao contágio, já que teve uma queda de imunidade muito significativa, por conta da entrada do vírus no corpo, o que resultou em dez dias de internação hospitalar por pneumonia.

Nessa internação, enquanto procuravam por um diagnóstico, o médico pediu uma série de exames, dentre eles, HIV, o qual veio com resultado “REAGENTE”. A partir disso, foi encaminhada ao SAE de Vacaria (Serviço de Assistência Especializada) e, de imediato, iniciou seu tratamento. Em quarenta e cinco dias ela já estava com carga viral indetectável, ou seja, sem quantidade significativa de vírus no organismo, sem risco de transmitir para outra pessoa e sem risco de ter AIDS.

“Pensei: pronto, está tudo resolvido! Mas foi um mero engano meu. Desde o meu diagnóstico eu sofri inúmeras formas de preconceito e, a cada episódio, aumentava minha vontade de contar a minha realidade nas redes sociais, porque, na minha cabeça, isso funcionaria como uma espécie de desarmamento para fofoqueiros e pessoas maldosas. Mas, ao mesmo tempo, esse não era um passo simples a ser dado, porque essa exposição poderia afetar até mesmo meu campo de trabalho, e então eu segui amadurecendo essa ideia por quatro anos, até sofrer uma ameaça de morte de um ex parceiro. Ele ficou sabendo que eu tinha HIV e me disse que, caso ele fizesse o teste e também desse positivo, ele iria voltar e me matar. Daí em diante eu procurei todas as pessoas importantes pra minha vida e comuniquei a decisão de falar sobre o assunto nas redes sociais e recebi muito apoio, graças a Deus”, relata Cleide.

De início, ela fez um vídeo caseiro, com celular mesmo, mas não gostou. Então, resolveu pedir ajuda a um amigo fotógrafo e que também cria conteúdo para as redes. Ele ficou perplexo com a ideia e a coragem de Cleide, levando a ideia até a Prefeitura Municipal de Vacaria, que acolheu a iniciativa e transformou-a em uma linda campanha de combate ao HIV. “Tudo saiu muito melhor do que eu tinha imaginado pois, com isso, além de contar minha história, ainda tinha uma profissional validando tudo que eu estava dizendo, e ao mesmo tempo eu estaria ajudando muitas outras pessoas com o mesmo problema”, afirma ela.

E foi dessa forma que Cleide se libertou, desarmando quem contava mentiras a seu respeito. Ela passou pelo processo que a maioria de quem testa positivo para a doença, passa: de não querer mais se relacionar com ninguém, pelo medo do preconceito. “Quando participei da campanha da Prefeitura de Vacaria, meu namorado atual já sabia do meu diagnóstico e me deu muita força pra fazer o vídeo, ele foi um dos meus maiores incentivadores. Por isso, meu conselho para quem também vive com HIV é sempre conversar com o parceiro sobre o assunto. Muitas vezes, o preconceito vem da desinformação ou da falta de diálogo”, alerta.

Apesar de vivermos em mundo tecnológico, com informações na palma das mãos, muitos assuntos passam despercebidos, e o preconceito vem justamente dessa falta de procura por informação de qualidade. Por fim, Cleide deixa sua mensagem para quem está passando pelo que ela passou. “Se mesmo assim a pessoa não te aceitar por conta do diagnóstico, essa pessoa não merece fazer parte da tua vida”, conclui.

HIV e AIDS não são a mesma coisa!

Segundo o Ministério da Saúde, o vírus ataca o sistema imunológico, sendo que, uma pessoa pode estar infectada pelo HIV, mas não necessariamente apresentar sintomas ou desenvolver aids. A AIDS é a condição de saúde causada pela infecção do HIV em estágio avançado, quando o sistema imunológico está gravemente comprometido. Não é o vírus em si, mas sim um conjunto de sinais e sintomas que caracterizam a falência das defesas imunológicas.

Contra as doenças, prevenção. Contra o preconceito, informação!

O último mês do ano é marcado por ações do Dezembro Vermelho, que divulga a luta e conscientização sobre a Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia e hepatite B e C. A campanha incentiva a realização de testes e tratamento adequado, com ações educativas e de mobilização da sociedade, no intuito de reduzir o preconceito e a discriminação que ainda cercam essas doenças.

O Ministério da Saúde – por meio do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde – divulgou, em seu último Boletim Epidemiológico de HIV e Aids, feito em 2024, as seguintes informações: houve um aumento de 4,5% nos casos de HIV em comparação a 2022. Quanto ao perfil das pessoas que concentram a maioria dos casos de infecção pelo HIV em 2023, os dados apontam que 70,7% foram notificados em pessoas do sexo masculino. A faixa etária com mais casos, 37,1%, é a de 20 a 29 anos de idade.

Estima-se que cerca de um milhão de pessoas vivam com HIV no Brasil, sendo que aproximadamente 900 mil foram diagnosticadas e mais de 837 mil estão em tratamento. Desse total, cerca de 100 a 150 mil pessoas não sabem que têm o vírus. 

Quais são as formas de prevenção contra as ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis)?

  • Uso de preservativos;

  • Educação sexual;

  • Testagem regular;

  • Tratamento das ISTs;

  • Profilaxia Pré-Exposição (PrEP): uso de medicamentos por pessoas com alto risco de contrair HIV para reduzir a probabilidade de infecção.

A equipe do SAE está programada para fazer testes rápidos na Praça Daltro Filho, dia 29 de Dezembro, para todos que desejarem. Para mais informações, orientação e acompanhamento, entre em contato: 

@saevacariars

(54) 9.2001-8204

sae.saude@vacaria.rs.gov.br

Rua Júlio de Castilhos, 930 - Centro, Vacaria

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