Apesar de não ter ninguém na família com formação artística, Vitor já mostrava interesse na área desde a infância, mas, devido a sua timidez, achou que seguiria pelo caminho das Artes Visuais, jamais imaginando-se em cima de um palco.
“Meu pai tocava violão e cantava por hobby, enquanto minha mãe gostava de escutar música no volume máximo. E essas coisas podem, sim, ter me influenciado, já que cresci num ambiente aberto para apreciar a arte. Sou grato a ambos por terem me permitido voar”, diz Vitor.
Seu começo deu-se por acaso, aos dezoito anos, quando fez um teste de elenco e passou, mesmo sem ter estudado teatro antes. Daí em diante, não parou mais, realizando sua Pós-graduação em História da África, Africanos e Africanas, na Uniasselvi e Orientação Educacional e Supervisão Escolar, na Ulbra.
“Sou Professor de Teatro Estadual nomeado, e a arte me faz viajar, inclusive na maionese. Ser quem eu sou, sem receio de ser feliz. Por isso a importância dela na minha vida”, comenta.
Até alguns anos atrás, o artista desenvolvia “A Paixão de Cristo” na Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, em Porto Alegre. Um baita trabalhão, já que precisou estudar textos religiosos para criar a dramaturgia.
“O elenco, em sua maioria, era formado por pessoas amadoras na encenação. Aí, além de diretor, entrava o professor de teatro em ação. E, como é uma peça bem conhecida, tinha que achar alguma inovação anualmente”, relembra ele.
No auge de suas atividades, Vitor descobriu que tinha Ataxia, que em seu caso, foi hereditária. Esta doença, nada mais é do que um sinal neurológico que indica dificuldade para coordenar os movimentos, podendo afetar o equilíbrio, a caminhada, a fala e até a coordenação dos olhos.
“Este ano, passei por um montão de exames com Neurologistas e diagnosticou-se Esclerose Múltipla. Não fiquei tão mal porque já tinha passado pelo susto anos atrás. Tenho delimitação de função, devido a atrofia do cerebelo, por isso caminho parecido com uma pessoa bêbada, além de ter a fala enrolada”, explica ele.
Dentro de seu quadro, o Neurologista recomendou que deixasse a sala de aula, pois poderia ter uma queda. Então, atualmente Vitor trabalha em uma biblioteca escolar, além de ler diariamente, fazer hidroginástica, responder palavras cruzadas e manter a disciplina necessária para conseguir ter qualidade de vida dentro de sua condição.
“Sou grato a Deus, que é meu suporte nas horas difíceis, a meu marido, que sempre esteve ao meu lado, principalmente apoiando minhas ideias artísticas, e a meus filhos que me ensinam o sentido da vida, diariamente”, conclui ele.
Para Vitor, a vida apresentou um roteiro que ele jamais imaginaria interpretar. Ele, que por anos ensinou sobre coragem, expressão e superação, encontrou dentro de si forças para continuar. A pausa não representa o fim da história, mas apenas um novo ato. Porque um verdadeiro professor de teatro sabe que nenhuma cena permanece igual para sempre e que alguns dos papéis mais importantes da vida não são aqueles interpretados diante de uma plateia, mas os que assumimos quando precisamos encontrar coragem para seguir em frente!




